sexta-feira, 17 de abril de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009
Num dia cinzento e baço
Resolvi colorir o mundo
Pintei de branco o espaço
Pintei de azul o céu imundo
Pintei as plantas de verde
Já que quase não as via
Pintei de roxo uma parede
E escrevi nela uma sinfonia
A sinfonia ganhou então vida
E eu ganhei inspiração
Desatei numa corrida
E sem querer pintei a mão
De um amarelo clarinho
Assim meio esverdeado
Toquei então num passarinho
Que ficou todo esborratado
Agarrei numa borracha
Para então o apagar
Mas perguntei a ele, tu achas…
Que te conseguirei redesenhar?
Disse-me ele que sim
E fiquei confiante então
Pintei-lhe com cor de jasmim
E fiz os contornos a carvão
O passarinho contente ficou
E começou logo a cantar
Mas não tardou muito, voou
E eu então voltei a pintar
Pintei o sol de amarelo
Só amarelo e nada mais
Reparei que antes era mais belo
Fiz reset e voltei a traz
Experimentei laranja então
Numa espécie de degrade
Estava ali qualquer coisa em vão
Que não consegui perceber
Ficou como ficou
Não lhe mexi mais
Com a tinta que restou
Eu pintei os animais.
Só faltava pintar-me a mim
Já que o resto estava pronto
Misturei cores sem fim
Até fiquei um pouco tonto
Saltei para dentro do balde
E logo fiquei infeliz
Estava pintado de preto
Com tinta a escorrer do nariz

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